Parceria entre UFV e CBA desenvolve nova técnica de restauração florestal de áreas mineradas

Postado em 12/mar/2025

A parceria entre o Laboratório de Restauração Florestal da Universidade Federal de Viçosa (LARF/UFV) e a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) acaba de desenvolver um novo método que avalia o uso de bolas de sementes (pequenas bolas feitas com argila, compostos orgânicos, sementes e água) com o Tecno-solo, como técnica complementar na restauração florestal de áreas pós-mineração e de terrenos de compensação à atividade minerária. A metodologia consiste no plantio de sementes diretamente no solo, para contribuir com o sucesso da restauração florestal, oferecendo um meio propício para estimular a germinação e o desenvolvimento de espécies florestais mais exigentes.

Considerada uma inovação na restauração florestal, a técnica garante a proteção das sementes contra as condições adversas, como a predação por animais, e leva maior diversidade de espécies secundárias, resultantes de um processo natural de regeneração da vegetação, para as áreas em restauração. Além disso, o seu uso permite lançar sementes em áreas de difícil acesso, onde o plantio é tecnicamente complexo.

“Um exemplo pode ser observado em locais onde há competição de mudas com gramíneas exóticas, que são espécies de plantas invasoras, como a braquiária”, cita o professor Sebastião Venâncio Martins, coordenador do LARF/UFV. “Nessas áreas, é possível combinar o plantio das mudas com as bolas de sementes, permitindo que seja plantado um número menor de espécies de recobrimento, que efetivamente sombreiam e enfraquecem as gramíneas. Na sequência, as bolas de semente podem ser aplicadas para promover o enriquecimento em espécies, resultando em uma floresta ainda mais diversificada”, completa.

Já o Tecno-solo consiste no uso dos argilominerais que compõem a matriz da bauxita extraída na Zona da Mata mineira. Os grãos de bauxita são separados da argila, que recebe adubação mineral e orgânica e as sementes, formando, então, a bola de semente. A técnica permite que as bolas de semente, junto com o Tecno-solo, passem a ser aplicadas na restauração florestal.

A metodologia foi criada a partir de um estudo conduzido na Casa de Vegetação do LARF, localizada no viveiro de pesquisa da UFV, onde foram testadas bolas de sementes de quatro espécies arbóreas de importância ecológica, nativas da Mata Atlântica, com diferentes receitas de Tecno-solo, observados ao longo de 190 dias. Os resultados mostraram excelentes respostas das espécies com elevadas taxas de germinação e rápido crescimento das mudas.

“A reabilitação ambiental acompanha a história da CBA. No início da nossa atividade mineral já restaurávamos as áreas nativas com espécies arbóreas, inclusive com viveiro próprio. Em 2003 fomos reconhecidos pela Fundação Estadual de Meio Ambiente – Feam como uma referência em sustentabilidade no setor de mineração. Mais recentemente, em 2021, inovamos com a prática de restauração florestal com plantio mudas altas nativas de Mata Atlântica, em parceria com os viveiristas da região de Dona Euzébia e a UFV, e, agora, com este projeto transformador, que permitirá uma diversidade ainda maior com a inserção de espécies climáticas nas áreas com mais tempo de restauração”, declara o gerente das Unidades de Mineração da CBA na Zona da Mata mineira, Christian Fonseca de Andrade.

Parceria histórica em pesquisa ambiental

Desde 2008, a CBA desenvolve melhorias em seu modelo de reabilitação ambiental, que têm contribuído para estabelecer uma nova relação entre a mineração, os produtores rurais e o meio ambiente. Os estudos e o desenvolvimento de tecnologias vêm sendo realizadas por meio de um trabalho contínuo de 16 anos em parceria com a UFV, na qual são desenvolvidas três linhas de pesquisa: Reabilitação Ambiental (Solos), Restauração Florestal (Florestas) e Conservação Hídrica (Hidrologia Florestal).

Com apoio da Universidade, os fragmentos florestais ao redor das unidades de preservação da CBA na região estão sendo ampliados para a formação de corredores ecológicos. A expectativa é que as propriedades criem um maciço ambiental e um local de reprodução da fauna local, agindo como um berçário para as espécies seguirem seu fluxo natural. O processo é realizado através da técnica de plantio de mudas altas de espécies atrativas à fauna, o que favorece a conexão das unidades de preservação a outros remanescentes florestais na região.

Reabilitação Ambiental

A reabilitação ambiental das áreas mineradas pela CBA tem início com a etapa de reconformação topográfica, em que são feitas a reposição da curvatura natural do relevo e o retorno do solo rico, que é reservado e armazenado ainda durante a extração da bauxita. Em seguida, acontece o preparo do solo, com adubação orgânica e mineral. Ao final, é feito o plantio de culturas agrícolas, florestais ou espécies nativas, utilizando técnicas desenvolvidas junto à UFV.

Fonte: Rádio Muriaé

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